Para aliviar os incômodos provocados pela menstruação, mulheres optam pelo uso contínuo de anticoncepcionais.A busca pelo alívio dos incômodos no período menstrual tem levado cada vez mais mulheres a fazer o uso de anticoncepcionais. Apesar da medida não ser nova, muitas têm optado pelo chamado regime contínuo de contracepção – que coloca fim ou, ao menos, diminui os episódios de menstruação. Bastante eficaz para algumas mulheres, o uso contínuo de hormônios precisa ser preescrito com cautela. Um estudo realizado em quatro capitais brasileiras avaliou os hábitos e atitudes relacionados à contracepção hormonal e constatou que a maioria das mulheres não conhecem a contracepção contínua mas desejam interromper o ciclo se tiverem a oportunidade de fazê-lo.

De acordo com o médico ginecologista Eliano Pellini, membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a suspensão da menstruação com o uso de medicação hormonal tem hoje indicações médicas em casos de cólicas, tensão pré-menstrual e fluxos excessivos; grupo este que inclui cerca de 25% das mulheres que menstruam. O uso contínuo do medicamento também é indicado para aquelas com grave distúrbio de comportamento, conhecido como síndrome disfórica pré-menstrual e portadoras de doenças benignas do útero, como miomas, pólipos endometriais e adenomiose.

´´Existem também aquelas pacientes que apresentam história de ovários policísticos, anemias fortes provocadas por perdas menstruais elevadas. Mas o método também é indicado para aquelas que apenas desejam diminuir o número de sangramentos anuais por motivos pessoais ou profissionais. Nesse grupo incluem-se aeromoças, atletas, executivas, militares´´, diz.

O estudo realizado pelo Instituto Resulta com a Libbs Farmacêutica abordou 340 mulheres de 18 a 30 anos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife e concluiu que 71,9% das entrevistadas desconhecem a existência do chamado regime contínuo em contracepção. Mas, segundo a mesma pesquisa, 40% afirmaram que gostariam de não menstruar para evitar, principalmente, cólicas, desconfortos e outros sintomas decorrentes da TPM.

As pílulas nasceram com a intenção de eliminar a ovulação, mas mantendo a simulação de uma perda menstrual mensal provocada pelo intervalo de sete dias sem uso. Esta medida, segundo Pellini, foi planejada mais para não alterar as menstruações como aspecto de controle social feminino do que para necessidade orgânica. ´´Com a evolução da ciência e as discussões sobre o assunto, a opção de uso da pílula passou a ser individual. Hoje a mulher pode tomar continuamente as pílulas ou reduzir o número de dias de pausa para três ou quatro. Assim, ganha com qualidade de vida, pois elimina os sintomas incômodos da menstruação ou reduz acentuadamente o volume perdido´´, reforça.

A estudante Fabíola Alcantara, 32 anos, buscou no regime contínuo de contracepção amenizar os efeitos das cólicas e enxaqueca que sempre teve. Há pelo menos quatro meses ela não menstrua e está satisfeita com os resultados. ´´Eu tinha uma disfunção quando era mais nova em que eu chegava a ficar vários meses menstruando então meu médico sugeriu que eu fizesse o uso contínuo para ver se melhorava e estou me sentindo bem.
Médico alerta sobre o uso indiscriminado.
O médico ginecologista e também homeopata, Paulo Elias Albuquerque, alerta quanto ao uso indiscriminado dos anticoncepcionais e enfatiza a importância de priorizar seu uso – com ou sem interrupções – somente em casos de planejamento familiar. ´´O ideal seria não ter que tomar anticoncepcional, mas existem situações que uma gravidez pode ser pior do que os efeitos colaterais do medicamento. Não vamos contraindicar. Só que acima de tudo, o anticoncepcional – assim como qualquer outro medicamento – é um tratamento e tem que ser direcionado ao caso e ao estilo da paciente. É preciso ficar atento a individualidade de cada mulher´´, diz.

Com uma visão vitalísta, a homeopatia busca tratar a essência do indivíduo na sua integralidade. Por isso, o médico lembra que independente se o uso do anticoncepcional é contínuo ou com interrupções, a interação hormonal é a mesma. Isso, segundo ele, significa que os danos do medicamento no organismo não atingem apenas as glândulas hipófise e ovários, mas o organismo como um todo. ´´Hoje em dia temos uma quantidade muito grande de produtos com muito menos efeitos colaterais do que tínhamos antes, mas ainda assim esses efeitos existem. Isso tem que ser valorizado. Nenhum medicamento usado indiscriminadamente, continuamente, é inóquo´´.

Ainda segundo Elias, os anticoncepcionais também têm as suas desvantagens, que envolvem desde problemas vasculares, hepáticos até o surgimento de pedras na vesícula – principalmente o anticoncepcional oral. ´´O tratamento com anticoncepcionais tem sido usado muito hoje em dia para as cólicas, dores de cabeça, TPMs, etc, está virando ´modismo´. Isso não vai resolver esses problemas, mas sim bloquear uma manifestação que é da paciente. Nesses casos é preciso ser feito o tratamento da causa dessas manifestações. A natureza cria todo um sistema durante uma evolução, são milhões de anos e então a gente intervém obstruindo o funcionamento dela. Isso tem efeito colateral. Se você usa o anticoncepcional contra uma gravidez que vai trazer mais dificuldades para uma paciente, aí sim. Essa é a função do anticoncepcional´´, opina. (F.B.)

Fonte: FOLHA DE LONDRINA – PR