Cerca de 10% da população mundial possui depressão. O problema interfere no dia a dia da pessoa (como comer, dormir, trabalhar e relacionar-se com outras pessoas). Causa dor e sofrimento, não apenas nas pessoas que apresentam os sintomas, como também naquelas que estão ao seu redor. É sobre esse tema que vamos conversar hoje com o doutor Rodrigo Henrique, pós-graduado em Psiquiatria pela Universidade Positivo em Curitiba-PR e que atende na cidade de Laranjeiras do Sul, interior do Paraná.

Dr. Frederico AugustoDoutor Rodrigo, Qual a diferença entre tristeza e depressão?
Dr. Rodrigo Henrique: Tristeza é um sentimento humano que expressa desânimo ou frustração em relação a alguém ou algo, ou seja, o oposto do alegre. Ela vem e depois passa. Já a depressão é uma doença psiquiátrica. Tem como principais características, a redução da capacidade de experimentar prazer na maior parte das atividades antes consideradas como agradáveis. Ocorre também a diminuição da capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões. A depressão é uma doença, tem que ser tratada.

Dr. Frederico AugustoQuais as principais causas da depressão?
Dr. Rodrigo Henrique: Causas emocionais, físicas, desarranjos hormonais, nutricionais, stress, consumo excessivo de álcool ou uma perda considerada importante. Estas são as principais causas.

Dr. Frederico AugustoQuais as principais formas de tratamento? 
Dr. Rodrigo Henrique: Hoje em dia, temos um arsenal de medicamentos antidepressivos e a psicoterapia, que deve ser considerada pelo médico.

Dr. Frederico AugustoNo caso do uso de medicamentos, quais as principais reações adversas? É comum as pessoas abandonarem o tratamento por conta delas?
Dr. Rodrigo Henrique: As principais reações adversas são: boca seca, sudorese (produção de suor), calafrios, prurido (coceira), erupções na pele, reações alérgicas, distúrbios gastrintestinais, tremores, perda de peso, palpitação, visão turva, impotência e outros mais. É muito comum os pacientes abandonarem o tratamento por conta das reações adversas. Nesses casos, o médico deve mudar o medicamento para que a pessoa possa ter uma melhor adesão ao tratamento.

Dr. Frederico AugustoExistem casos das pessoas abandonarem o tratamento por achar que estão curadas?
Dr. Rodrigo Henrique: Alguns pacientes deixam de tomar os medicamentos principalmente quando eles têm certa melhora no quadro, o que é um erro. Para ser efetivo, o tratamento deve ser continuado durante todo período prescrito pelo médico, sob o risco da pessoa ter novas crises.

Dr. Frederico AugustoTer um parente com depressão, tipo o pai ou a mãe, favorece o aparecimento da doença?
Dr. Rodrigo Henrique: Sim, a doença tem um fator genético. Existem casos em que o pai tem depressão, o filho tem depressão, e ainda mais, há casos de pais que se suicidaram, filhos e até netos que também chegaram a tentar o suicídio. Eu mesmo tenho pacientes, mães e filhos, que se tratam comigo.

Dr. Frederico AugustoQual o papel da família para que o tratamento dê certo?
Dr. Rodrigo Henrique: Dar apoio, ajudar no tratamento, pois é comum os pacientes abandonarem os medicamentos e a psicoterapia. Dessa forma, o papel da família é importantíssimo.

Dr. Frederico AugustoExistem casos em que a pessoa com depressão fique impossibilitada de trabalhar?
Dr. Rodrigo Henrique: Sim, há casos inclusive que a pessoa não consegue sair do quarto ou até mesmo banhar-se ou comer.

Dr. Frederico AugustoQuem é mais susceptível a ter depressão, o homem ou a mulher? Por quê?
Dr. Rodrigo Henrique: A mulher. Para cada homem deprimido há duas mulheres com depressão. Acredita-se que se que as causas sejam físicas, hormonais e até mesmo socioculturais, que tem origem na própria história do sexo feminino.

Dr. Frederico AugustoApós ter a primeira crise depressiva, qual a probabilidade da pessoa vir a ficar doente novamente?
Dr. Rodrigo Henrique: Sempre existe uma possibilidade. Vai depender de cada pessoa. Querer se tratar é muito importante para evitar crises futuras. Existe ainda muita gente que tem a doença e não procura ajuda. Sem tratamento, a possibilidade de ter uma nova crise é muito grande.

Dr. Frederico AugustoDoutor Rodrigo, quais os principais conselhos que o senhor dá aos seus pacientes para evitar uma depressão futura?
Dr. Rodrigo Henrique: É necessário estar em equilíbrio com a vida. É preciso nunca estar só, sempre acompanhado de alguém que nos faça bem. Fazer exercícios físicos, pois assim você libera mais serotonina (hormônio que está associado ao estado afetivos das pessoas), ter boas amizades, frequentar igrejas, enfim, ter uma vida social ativa.